domingo, 12 de dezembro de 2010

O Nada

As portas estão destrancadas
Presentiando-me com amargo sabor
O vácuo cinza de momentos negros
Infindável minutos finais

Tão completo, repleto,
Pelo seu vazio primordial
Cercando-me no agora
Me fazendo sentir como parte da obra

Já não existem portas, nem janelas
Tudo está dentro, ou nada esta fora
A referência de mim mesmo
Não se encontra em nenhum canto sorrateiro


Inebriado pelo cansaço
Cambaleante através dos devaneios
Rendido, envolto pelo manto do nada
Entregue aos designios do espaço

Meus olhos sujos e dilatados
Surpreendidos e incrédulos
Já se renderam ao cansaço
Dos dias eternos.




D.A.



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