Ei colibri,
porque chegaste a mim de mansinho?
Tão leve quanto a pluma no teu ninho.
Ei colibri,
porque cantaste ao meu ouvido?
doces canções que jamais tiveram existido.
Ei colibri,
porque me destes tantos carinhos?
Se na vida já sabias que não estarias em meu caminho.
Porque me mostrasse o teu cardeal, e todos os teus afáveis familiares?
Se fizestes de todos eles ouvidos para tuas canções incontestáveis.
Ei colibri,
porque não deixas ninguém ouvir meu canto?
tens medo que se revele algo aos prantos?
Ei colibri,
porque compões canções que não existem?
De que adianta enaltecer-se com músicas
sem partituras,
inexpressíveis?
Cumpriste tua missão colibri?
Contete estas com toda tua obra?
Satisfação já sentes com toda a platéia a te aplaudir, nas tuas canções inquestionáveis e que no fundo, talvez, até te façam sorrir, colibri.
Mas ao menos, quer seja mais,
Fizeste-me feliz, colibri.
Quando tenho a certeza que jamais cantarei igual a ti.
Colibri.
Queres ir?
Vai, voa no céu mais azul.
Atravessa todos e campos e mares que vierem a surgir.
Porém, não te esqueças de que amor por ti, senti.
Mas enfim, terás colibri, a um outro colibri.
(D.A)
