Sabe, hoje, uma abelha, um mosquito, ou o que quer que seja, daqueles pequenos mas que fazem um barulho danado, belisca minha mente em forma de pergunta. Ele indaga-me as razões de terem ocorrido tantos desencontros frutos de um encontro. Ainda formulo uma resposta satisfatória para que ele por fim se satisfaça e procure outra cabeça para zumbir. Porém o fato é que ainda não possuo tal resposta.
Não sei ao certo, mas desconfio que continuarei a ouvir esse zumbido por muito tempo, simplesmente porque talvez jamais conseguirei responder ao meu amigo barulhento.
É certo que em algumas vezes me arriscarei na resposta, direi que foi falta de compreensão, falta de confiança, falta de maturidade, falta de tempo, entre outras tentativas vãs. Mesmo assim meu caro zumbidor, mesmo sem acreditares nas minhas tentativas de justificar o problema, terás que me ouvir ao menos em uma coisa, já que te ouço importunadamente.
Se tu estas dentro da minha mente tirando sarro com o meu presente, então conheces bem, até porque não é a primeira vez que me visitas, a mim próprio. Saberás que o pior veneno é a mentira, que vai contaminando aos poucos devagarzinho até por fim matar, ou pior, o corpo se acostumar com a substância e aprender a viver com ela.
O que?
O que disse?
Se o amor não pode desintoxicar o corpo nefasto? Infelizmente meu caro inseto, o efeito é certamente o contrário, o amor pode acelerar o processo de intoxicação, já que ele aumenta o fator Decepção. E qual seria a solução, me perguntas? Bem, a exterminação desse tipo de substância depende do próprio corpo que a produz, apenas ele é capaz de purificar a si mesmo e estar livre desse tipo de “hábito”. E é claro, deves saber muito bem, que esse mal quando não combatido vem acompanhado de outros tão fortes quanto, como a injustiça, a criação de falsos.
Bem meu novo velho companheiro, para não me alongar o tanto quanto devo, e deixar que você continue esse seu árduo trabalho de zumbir, sabe aquele amor que julgavas ser a solução para o mal que te citei anteriormente? Quando deixares minha cabeça, faz-me um favor. Vai e espalha por outras que o amor não é coisa boba, que sim, ele poderia servir de antídoto se não fosse tratado como um brinquedo, um souvenir qualquer. Vai e propaga na tua barulheira que o amor só necessita do significado de uma palavra às vezes simples para se tornar algo quase divino e definitivo,
Respeito.
