segunda-feira, 29 de novembro de 2010

No Alto

O poeta chegara ao alto da montanha,
E quando ia a descer a vertente do oeste,
Viu uma cousa estranha,
Uma figura má.


Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste
Pergunta o que será.


Como se perde no ar um som festivo e doce,
Ou bem como se fosse
Um pensamento vão,


Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro lhe deu a mão.

Machado de Assis

sábado, 27 de novembro de 2010

Incógnita

Para que serve a discórdia?
                            a falta de amor?
                            o egoísmo?
                            a falsidade?
                            o ódio?
                            a ignorância?
                            a falta de ética?
                            o excesso de burrice?
                            a falta de amor  próprio?
                            a falta de caráter?
                            a intolerância?
                            tamanhas mentiras?
                            tanta traição?
Talvez surja um dia
Em que as nuvens se dissiparão
E Carregarão toda a névoa
Que antes cobrira nossos olhos
E com a mais pura e casta simplicidade
Também nos possa explicar
Antes do nosso último alvorecer
O que é o amar.

"D.A."