sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Das Mãos de Deus

Em meio ao imensurável espaço divino
Ouvisse o incessante e o musical
A reunião entre anjos e querubins
Auxiliando "O Grande" à sua criação

Mas o que estaria sendo feito?
O que poderia causar tamanha reunião celestial
Para que as trombetas se calassem
E o céu inteiro parasse?

Ele buscava em toda sua sabedoria da criação
Um algo diferencial e belo
Algo sublime e virtuoso
Repleto de luz

Optou por modelar um ser
Um ser que carregasse consigo
Apenas amor e bondade
Limpando a escuridão das almas alheias

Então o delicado trabalho teve início
Aos poucos foi colocado
Tudo o mais necessário
Nessa inigualável criação

Então à terra que seu filho antes pisara
Ele plantou a sua Obra
Mas apenas alguns privilegiados
Podem contemplar tamanha beleza

Hoje caminhas por entre nós
Irradiando sua reluzente estrela
Enchendo nossos corações de paz
Não cabendo espaço para nenhuma tristeza

Ofereço essa singela gratidão
Ao nosso pai maior e a ti
Por toda vossa generosidade
Pelo meu lugar junto ao teu coração

D.A.


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

À Estrela Vésper

   William Blake (1757-1827) é uma das grandes vozes da poesia inglesa do século XVIII. Além de escritor, foi também pintor, impressor e um dos mais importantes gravadores da história da Inglaterra.

Tu anjo noturno de alva cabeleira,
Agora, enquanto o sol se inclina sobre a colina, inflama
Teu reluzente lume, coloca a radiante coroa
E sorri sobre o leito da noite!
Sorri sobre nossos encantos enquanto recolhes
As cortinas azuis do céu, esparge teu argênteo orvalho
Sobre cada flor que cerra ao sono seus doces olhos,
Deixa que o vento do oeste adormeça sobre o lago
Fala em silêncio com os teus luminosos olhos
Banha de prata o crepúsculo e de repente
Te retiras enquanto enfurece o lobo,
E o leão o escuro bosque espreita:
Os velos de nossos rebanhos recobriram-se
Com o teu sagrado orvalho;
Protege-os com os teus sutis sortilégios.

William Blake


domingo, 12 de dezembro de 2010

O Nada

As portas estão destrancadas
Presentiando-me com amargo sabor
O vácuo cinza de momentos negros
Infindável minutos finais

Tão completo, repleto,
Pelo seu vazio primordial
Cercando-me no agora
Me fazendo sentir como parte da obra

Já não existem portas, nem janelas
Tudo está dentro, ou nada esta fora
A referência de mim mesmo
Não se encontra em nenhum canto sorrateiro


Inebriado pelo cansaço
Cambaleante através dos devaneios
Rendido, envolto pelo manto do nada
Entregue aos designios do espaço

Meus olhos sujos e dilatados
Surpreendidos e incrédulos
Já se renderam ao cansaço
Dos dias eternos.




D.A.



sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Flor e o Jardineiro

Havia, perambulando pelos jardins das emoções,
Plantando e cultivando por infindáveis tentativas
Com mais sincero e desenfreado afinco,
Motivado por incompreendidos e verdadeiros motivos

Tinha nas mãos a saliência do trabalho
Através dos calos doloridos pelo tempo
Porém já indolores pela exaustão
A completa descrição de sim mesmo


Em meio ao seu vasto jardim incompleto
Flores diversas do chão brotaram
No entanto, apenas pseuda beleza possuíam
E mesmo aos seus cuidados, sempre ao chão jaziam

Contudo, sempre divina e brilhante
Existente nos mais profundos devaneios
Penetrada ao centro do seu casto jardim
Uma reluzente flor brotava com magnifica pureza

Inesplicavelmente ele a ouvia com a alma
Ouvia um canto nunca antes cantado
E nos campos do seu jardim,
antes impesto por falsas canções
Foi inundado por um inconfundível aroma

A mesma brisa que trazia ao seu olfato
O doce afago do aroma sentido
Levava insensantemente aos seus ouvidos
Calmas palavras proferidas de forma inigualável
Trazendo a certeza nunca abandonada
De sua busca pelo verdadeiro cultivar




D.A

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

As Flô de Puxinanã (Em Homenagem ao "Seu" Pereira)

"As Flô de Puxinanã" é uma paródia feita pelo poeta sertanejo Zé da Luz à "As Flô de Gerematáia" de Napoleão de Menezes.
Postei esta poesia em homenagem ao meu pai, o "Seu" Pereira, que me fez crescer ouvindo "As Flô de Puxinanã" sempre recitada por ele de uma forma puramente sertaneja.

Três muié, ou três irmã,
Três cachôrra da mulesta,
Eu ví, num día de festa,
No lugar Puxinanã.

A mais véia, a mais ribusta,
Era mêrmo uma tentação!
Mimosa flô dos sertão,
Qui o povo chamava Ogusta.

A sigunda, a Guiléimina,
Tinha uns ói qui ô! Mardição!
Matava quarqué cristão
Os oiá déssa minina!

Os ói déla, paricía
Duas istrêla tremendo,
Se apagando e se acendendo
Im noite de ventanía!

A têrcera, era a Maroca.
Cum um côipo munto má feito.
Mas porém, tinha, nos peito
Dois cuscús de mandioca!

Dois cucús, qui, prú capricho,
Quando éla passou prú eu,
Minhas venta se acendeu
Cum o chêro vindo dos bicho!

Eu inté, mi atrapaiáva,
Sem sabê das três irmã
Qui eu vi im Puxinanã,
Quá éra a qui mi agradavá...

Iscuiendo a minha cruz
Prá saí dêsse imbaraço,
Desejei morrê nos bráço,
Da dona dos dois cuscús!!!




...Eternas Saudades...



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Súbita Partida (ao meu pai)

Em uma noite estranha
Fria como as víceras do tempo
Desolada como o principio dos dias

Foste embora
Partiste para o inacabado desconhecido
Levando consigo o conhecimento do viver
De toda uma existência de experiência

Os que te recebem no infinito imaculado
Estão fazendo agora as bodas do firmamento
A bailar contigo pelo divino conhecimento
De toda grande obra para ti agora revelada

Não levaste nada dessa terra
Mas aqui plantaste preciosos saberes
De que a vida só é vivida
Quando as incertezas são postas de lado

Nos momentos de tristeza
A saudade se encarrega de trazer
Lembranças tuas de belo recordar
E a certeza  de que tu'alma
Se encontra no eterno descansar

D.A.


domingo, 5 de dezembro de 2010

Obssessão

Você roubou meu sossego
Você roubou minha paz
Com você eu vivo a sofrer
Sem você vou sofrer muito mais


Já não é amor
Já náo é paixão
O que eu sinto por você
É obsessão
(Composição: Milton de Oliveira - Mirabeau)




Linda composição, e magnifica interpretação da eterna Clara.
Assistam o video no link abaixo...
http://www.youtube.com/watch?v=7VfhQfaAr7A&feature=player_embedded

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cansado

Estou cansado,
Cansado de não ver mais a luz dos teu olhos
ou a escuridão indecifrável que ele me apresentou
Cansado dos dias que passam
que passam, passam, passam...
mas não levam consigo o vazio do abismo interior
Cansado de sentir a cada manhã
a existência quase que animalizada de uma nova incógnita surgida
Cansado da minha passividade
impossibilitada de ser mudada pelas tuas ações
Cansado do cansaço,
fazendo-me pensar por quantas horas ainda escutarei tua voz
Invadindo minha mente, meu coração, minhas entranhas
Se antes inundadas pela tua presença,
Hoje apenas ecoa os susurros que por ti são gritados
Esse cansaço que me invade
apenas revela o quanto ainda estão verdes os campos por ti plantados
continuando a brotar nas paragens do meu coração.

"D.A."  

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

No Alto

O poeta chegara ao alto da montanha,
E quando ia a descer a vertente do oeste,
Viu uma cousa estranha,
Uma figura má.


Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste
Pergunta o que será.


Como se perde no ar um som festivo e doce,
Ou bem como se fosse
Um pensamento vão,


Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro lhe deu a mão.

Machado de Assis

sábado, 27 de novembro de 2010

Incógnita

Para que serve a discórdia?
                            a falta de amor?
                            o egoísmo?
                            a falsidade?
                            o ódio?
                            a ignorância?
                            a falta de ética?
                            o excesso de burrice?
                            a falta de amor  próprio?
                            a falta de caráter?
                            a intolerância?
                            tamanhas mentiras?
                            tanta traição?
Talvez surja um dia
Em que as nuvens se dissiparão
E Carregarão toda a névoa
Que antes cobrira nossos olhos
E com a mais pura e casta simplicidade
Também nos possa explicar
Antes do nosso último alvorecer
O que é o amar.

"D.A."